Novak Djokovic vive um momento de reflexão incomum para um dos maiores nomes da história do tênis. Aos 39 anos, o sérvio admite que decifrar o jogo de Carlos Alcaraz e Jannik Sinner já não basta: o corpo, hoje, nem sempre responde ao plano traçado na cabeça. É um problema novo para quem passou duas décadas ditando o ritmo do circuito masculino.
Atual número 7 do mundo, Djokovic não conquista um Grand Slam desde 2023, período em que Alcaraz e Sinner venceram dez dos últimos onze majors disputados. Nos intervalos entre entrevistas e compromissos de calendário - tão variados quanto os debates que cercam o esporte hoje, de rivalidades geracionais a curiosidades como o slot faroeste que circula entre fãs nas redes -, o sérvio segue tentando entender como reverter esse cenário. A última vitória sobre Sinner veio no Aberto da Austrália deste ano; sobre Alcaraz, remonta à edição de 2025 do mesmo torneio. Fora isso, os resultados recentes contra os dois têm sido adversos.
Em janeiro, Djokovic caiu diante de Alcaraz na final do Aberto da Austrália, em quatro sets, um resultado que reforçou a sensação de troca de geração no topo do ranking. Antes de 2024, o sérvio ainda dominava a modalidade, somando quatro dos seis Grand Slams disputados naquele ciclo e elevando sua contagem para 24 títulos majors - número que segue como referência histórica, mas que ele busca ampliar para 25.
Um espelho do próprio passado
Em entrevista à TNT Sports, Djokovic fez uma confissão rara sobre o desafio atual: “Estes dois jogadores lembram-me muito a mim próprio há 10 ou 15 anos. É como se estivesse a jogar contra mim mesmo do passado, e isso magoa-me no campo. Sei como decifrar o código, mas será que consigo?”. A fala resume o dilema de um atleta que conhece as respostas táticas, mas enfrenta limitações físicas que não existiam na fase áurea de sua carreira.
Zverev interrompe a hegemonia, mas Sinner responde em Wimbledon
A única quebra recente no domínio de Alcaraz e Sinner veio com o título de Alexander Zverev no Aberto da França, resultado que analistas associam à lesão de Alcaraz e a uma eliminação precoce e surpreendente de Sinner no torneio. Em Wimbledon, porém, o italiano respondeu com autoridade, conquistando seu quinto Grand Slam ao superar o próprio Zverev em quatro sets na decisão - evidência de que a disputa pelo topo do tênis mundial segue concentrada nos dois jovens.
Motivação como combustível
Apesar de vozes como a do ex-treinador Toni Nadal sugerirem que a aposentadoria pode estar próxima, Djokovic rejeita esse discurso. Questionado sobre o que o mantém competindo, respondeu: “É sempre uma questão de encontrar novas formas de me motivar, inspirar-me para ser melhor. As rivalidades são importantes, e tens de encontrar alguém no público ou no campo que te faça querer ser melhor.”
No momento, Alcaraz está fora do Canadian Open por lesão no pulso, enquanto Djokovic e Sinner figuram na lista de inscritos do Masters 1000 de Montreal. Ainda não há confirmação sobre a presença efetiva do sérvio em quadra, já que ele tem dedicado parte da agenda à promoção de seu documentário. A disputa entre os três nomes, no entanto, promete seguir como um dos principais enredos do tênis mundial nos próximos meses.